Desespero de influenciadores de bets é grande notícia para o Brasil

Por Leonardo Sakamoto
Há uma sinfonia de choro e ranger de dentes ecoando pelos stories do Instagram. Influenciadores digitais, outrora sorridentes enquanto ostentavam carros importados e viagens milionárias, agora gravam vídeos com semblantes carregados, lamentando a proibição das plataformas da apostas pelo governo federal. Alguns xingam, outros ameaças, há quem rasgue a compostura. Esse desespero público de quem perdeu a mina de ouro é o maior atestado de que a medida do governo federal não é apenas fumaça. Ou seja, a mamata construída sobre a ruína de milhares de famílias trabalhadoras pode estar secando.
Vender bet nunca foi sobre entretenimento, mas sobre tráfico de ilusão. Essa turma enriqueceu atuando como autênticas biqueiras virtuais, empurrando uma droga financeira altamente viciante direto para a tela do celular de quem já contava as moedas para chegar ao fim do mês. Lucravam alto com a comissão do desastre alheio, transformando a ansiedade e o superendividamento da população em combustível para ostentação fútil. Agora que a torneira do dinheiro fechou, posam de vítimas. É o cinismo clássico de quem chora por perder a licença legalizada para explorar o próximo.



