Portal JFonte — Jornalista Responsável: João Teixeira de Lima
Voltar
Política

Superintendentes da PF defendem direção geral após polêmica no STF

Por João Teixeira de Lima·6 de agosto de 2026·3 min de leitura

Por Julia Duailibi

Julia Duailibi é comentarista de política da GloboNews.

Em nota assinada por todos os 27 chefes regionais, a instituição reafirma sua independência técnica e rechaça ataques que visam enfraquecer a credibilidade do órgão perante a sociedade.

06/08/2026 09h43 Atualizado há 39 segundos

Os 27 superintendentes regionais da Polícia Federal divulgaram nesta quarta-feira (6) uma nota conjunta em que reafirmam o compromisso da instituição com a Constituição, a legalidade e o Estado Democrático de Direito. O documento surge em um cenário de forte tensão institucional entre a Polícia Federal e o gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em virtude de divergências na condução de inquéritos criminais.

No texto, os dirigentes manifestam confiança na Direção-Geral da PF e afirmam que a atuação da corporação é orientada pelo cumprimento da lei, com base em provas e sem interferência de interesses pessoais.

"A credibilidade construída perante a sociedade brasileira decorre da atuação técnica e independente de seus servidores, orientada exclusivamente pelos fatos, pelas provas e pelos mecanismos de controle previstos no ordenamento jurídico. A atividade investigativa da Polícia Federal não se submete a interesses políticos, ideológicos ou pessoais, mas ao estrito cumprimento da lei", diz o texto. A tensão institucional entre a Polícia Federal e o gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em virtude de investigações relacionadas ao chamado "caso INSS" e escalou após a PF solicitar a abertura de frentes de investigação contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República, por suspeitas de corrupção e tráfico de influência em contratos da Dataprev e no Ministério da Saúde.

O gabinete de Mendonça, relator do caso no STF, tem cobrado esclarecimentos sobre a condução e a suposta demora nas diligências, enquanto a PF nega qualquer irregularidade e sustenta que os procedimentos seguem critérios estritamente técnicos.

Agora no g1 Agora no g1

A corporação contesta decisões do ministro que considera interferência em suas atribuições, como restrições impostas à comunicação de informações da investigação entre delegados e seus superiores. Diante desse cenário, a PF chegou a acionar a Advocacia-Geral da União (AGU) para avaliar as medidas do ministro, alegando que tais restrições prejudicam a gestão institucional.

LEIA MAIS

VALDO: PF pede terceiro inquérito contra Lulinha; Lula já tem discurso pronto: ‘não poupa ninguém’ GUEDES: Roberta Luchsinger pede investigação de suposto vazamento de conversas com Lulinha; pedido abrange policiais federais cedidos ao STF No manifesto, os chefes regionais enfatizam que a atividade investigativa não deve se submeter a interesses políticos, ideológicos ou pessoais, mas ao estrito cumprimento da lei.

A nota também aborda o cenário de críticas públicas, pontuando que, embora o "debate público e as críticas legítimas são próprios da democracia", ele se torna nocivo quando voltado ao "enfraquecimento da credibilidade e da confiança" que a sociedade deposita nas instituições .

O documento é assinado pelos chefes das 27 superintendências regionais da Polícia Federal.

Posição de Lula O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter conversado diretamente com seu filho após o nome deste ser citado na CPMI do INSS.

Lula relatou que chamou o filho ao Palácio do Planalto para uma conversa franca, na qual deu o seguinte aviso: "Só você sabe a verdade. Se você tiver alguma coisa, vai pagar o preço, mas se não tiver, se defenda"

Segundo o blog do Valdo Cruz, interlocutores do presidente afirmam que o petista já definiu a linha que adotará sobre o caso: sustentará que qualquer pessoa eventualmente envolvida em irregularidades deve responder por seus atos, independentemente de laços pessoais ou familiares.

De acordo com esses interlocutores, o Palácio do Planalto não vê indícios de que Lulinha tenha obtido qualquer benefício dentro do governo para favorecer a empresária Roberta Luchsinger.

Compartilhar Facebook

Leia também