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Parte 1

Uma história de prisão, justiça e esperança – em capítulos

Por João Teixeira de Lima·17 de julho de 2026·3 min de leitura

Esta história é longa. Teve inicio em 1996, mas isso, será contado no fim, começarei pelas prisões propriamente ditas, e semanalmente contarei uma parte. Não citarei nomes de ninguém, exceto o meu, sejam acusados, advogados, promotores, juízes e/ou quem quer que seja. Por ser funcionário público federal, mas já estava aposentado, fui acusado pelo crime de peculato, que nada mais é do que roubo de dinheiro público.

A PRIMEIRA PRISÃO

Fui preso provisoriamente isto é, sem trânsito em julgado, pela polícia militar em minha residência à Rua Raposo Tavares, 240 – Jaboticabal – SP. Eu já sabia que isso iria acontecer, mais cedo ou mais tarde porque havia mandado de prisão expedido. Na época o advogado entrou com Habeas Corpus, mas foi negado. Esse sofrimento da minha família e meu, já vinha se arrastando por muitos anos, não tínhamos mais vida, mas após o mandado de prisão, eu perdi praticamente a esperança de viver, não tinha chão, não dormia e não me alimentava, enfim virei uma espécie de zumbi. Enquanto aguardava a presença da polícia, vendo a minha angústia, minha mulher me disse: “segura na mão de Deus, acalma teu coração, você não está com uma doença terminal”. Ela estava coberta de razão, me acalmei um pouco mais e aguardei o fatídico dia da prisão, que aconteceu em 14 de setembro de 2019, por volta das 19 horas de um sábado, 23 anos depois da acusação. Mas jamais imaginei que aconteceria à noite e num final de semana, e ainda mais, pela polícia militar já que se tratava de um “crime” federal. Naquele início de noite, eu estava tentando dormir um pouco, quando tocaram a campainha e minha mulher me chamou dizendo que havia alguém querendo falar comigo, me levantei e me dirigi até a porta e observei várias viaturas da polícia. (Posteriormente soube através de vizinhos, que essas viaturas estavam circulando nos arrdores da minha minha casa desde o início da tarde, o que chamou muito a atenção dos moradores imaginaram eles, que ali havia um elemento de alta periculosidade). Fui até o portão, e um dos policiais perguntou se eu era João Teixeira de Lima, respondi que sim, e ele pediu para eu sair para conversarmos, pediu meu documento, e eu pedi para mulher trazê-lo, o entreguei para o policial, e após a verificação ele me deu ordem de prisão, e frisou que alguém havia telefonado para o COPOM (Centro de Operações da Polícia Militar), informando que naquele local havia um foragido da justiça, o que retruquei informando-lhe que jamais sai da cidade e muito menos mudei de endereço. Em seguida, como estava descalço, pedi ao policial para retornar por alguns minutos para dentro de casa para pegar um calçado e escovar os dentes, o que foi negado. Em seguida fui colocado na parte traseira da viatura e levado para a delegacia, mas antes disso, o policial falou que não iria me algemar porque eu era muito conhecido na cidade. Porém, não me permitiu que levasse sequer uma veste como roupa íntima, material de higiene pessoal e medicamentos de uso contínuo. Minutos após chegar à delegacia minha mulher também chegou e trouxe algumas roupas, toalha de banho, material de higiene pessoal e os medicamentos. Mas após muita insistência da minha mulher e do advogado apenas os medicamentos permaneceram, por “bondade” da escrivã que estava de plantão. Passadas algumas horas de trâmites burocráticos me levaram até a UPA para o exame de corpo de delito, que cujo exame durou alguns segundos. Aguardei o médico acompanhado de dois policiais, e quando este chegou me perguntou: “você tem algum machucado”? Respondi que não. Ele então escreveu algo num papel e o entregou para um dos policiais. Retornamos à delegacia e lá fui colocado num quartinho chamado de corró. Minha mulher pediu a escrivã para ir até o corró e se despedir de mim, o que foi negado, mas um vereador da cidade foi até mim, o que fiquei muito grato pela visita. Naquela mesma noite fui transferido para... Siga a parte 2

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